Aprendizagem Vivencial Corporativa

Por Caroline Lima de Mello

A gestão de recursos humanos evoluiu muito nos últimos tempos, juntamente com as atividades vivenciais que ganharam força na área de treinamento e desenvolvimento de pessoas no mundo corporativo.

Atividade vivencial refere-se ao processo de aprendizagem experimental em grupo, são situações que estimulam as pessoas com o objetivo de alcançar mudanças pessoais.

Aprender é um processo natural do ser humano, isto acontece desde o momento em que nascemos e continuamos fazendo por toda a vida. As pessoas encontram-se em processo de aprendizagem contínuo através de experiências que resultam em conhecimento, habilidades e comportamento. O grande desafio é usufruir das experiências como referencial de aprendizagem para novas ações.

Os adultos aprendem bem melhor quando praticam o que precisa ser aprendido, ou seja, experimentar é uma forma de prender. A base da aprendizagem vivencial é a experimentação.

David Kolb desenvolveu o Ciclo de Aprendizagem Vivencial (CAV), um método que possibilita a reflexão sobre a atividade na busca de um aprendizado efetivo que resulte em mudança de comportamento. São quatro as etapas básicas do ciclo: Vivência, Processamento, Generalização e Aplicação. A Vivência é a experimentação, uma atividade lúdica e motivacional. O participante é estimulado e desafiado, é o momento que expressa seus conhecimentos, habilidades e sentimentos. A atividade é em grupo, mas cada participante colabora com suas iniciativas. O Processamento é a etapa da reflexão e observação. O facilitador propõe alguns questionamentos aos participantes estimulando a percepção das reações e sentimentos manifestados durante a experimentação. É o momento de analisar e avaliar os desempenhos com relação aos resultados obtidos, pontos positivos e negativos. A Generalização é a etapa do ciclo em que o facilitador estimula o grupo a pensar nas correlações com o dia a dia na empresa, com a vida real, o concreto. Neste momento é importante que os participantes percebam que não é simplesmente uma brincadeira e que os aspectos lúdicos da atividade fazem parte deste processo de aprendizagem vivencial. Aplicação é o momento de questionar o que se aprendeu e como refazer suas ações mais alinhadas ao aprendizado obtido. Criar um plano de melhorias com mudança para comportamentos mais eficazes e a aplicação dos novos conceitos no dia a dia de sua vida profissional. O maior desafio é o compromisso de praticar as novas ações planejadas.

Neste processo é muito importante o papel do facilitador que deve criar condições para uma aprendizagem ativa, participativa e transformadora. Cito abaixo alguns tópicos que o facilitador deve estar atento: Selecionar uma atividade capaz de permitir a ligação com as situações vividas na empresa; Estimular o relato das percepções e sentimentos experienciados pelos participantes; Promover uma analogia com o dia a dia na empresa; Instigar os participantes ao compromisso com a aprendizagem e realização da mudança. O facilitador deve propor aos participantes realizar todo o caminho do Ciclo de Aprendizagem Vivencial. Mas, devemos estar conscientes que cada pessoa é responsável por suas escolhas e consequentemente pela sua aprendizagem. Segundo Fela Moscovici (2008), “Você pode levar muitas coisas deste treinamento, inclusive nada…”

A Aprendizagem Vivencial Corporativa é um caminho para o autoconhecimento e desenvolvimento pessoal dos profissionais e da equipe. As empresas que entendem a importância deste caminho como uma ferramenta eficaz para capacitar seus colaboradores têm a perspectiva real de melhorar seus resultados.

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