Sugata Mitra está também entre os palestrantes mais importantes para o ATD 2015. Professor de tecnologia educacional da Newcastle University, Reino Unido. Sugata tem desenvolvido um programa de ensino onde crianças podem aprender por meios tecnológicos, sem a presença constante de um docente. Com esse projeto Mitra foi ganhador do Prêmio TED 2013 e tem visto o resultado de anos de pesquisa se tornarem realidade.
O projeto chamado “School in the Clood” (Escola na Nuvem) é resultado de um primeiro experimento criado por Sugata, o “Hole in the wall” (Buraco na Parede). Em seu primeiro experimento, Mitra fez um buraco no muro, em uma pequena comunidade de Nova Déli. No buraco ele colocou um computador, com mouse, teclado e um sistema operacional em inglês. A página inicial era um site de busca da época. A intenção do projeto era identificar se as crianças daquela região pobre, e com defasagens de estudo conseguiriam interagir com o computador, se elas seriam capazes de usá-lo mesmo sem saber falar inglês. Por incrível que parecesse as crianças conseguiram usar o dispositivo e aos poucos estavam navegando por sites na internet com facilidade e as que aprendiam ensinavam as outras.
Com esse resultado, ele criou uma segunda hipótese: Será que crianças de um pequeno vilarejo indiano, seriam capazes de aprender sobre biotecnologia da reprodução de DNA, por meio de um computador, e em inglês? Partindo desse ponto ele instalou um outro computador em uma pequena vila e baixou todos os materiais possíveis sobre o assunto. As crianças o questionaram sobre o que seria aquilo ele respondeu: “É uma coisa muito especifica e importante, mas está tudo em inglês”. Elas o questionaram: “Como iremos aprender, então? ” “Eu não sei” respondeu ele, deixando-as. Meses depois voltou e questionou as crianças se elas haviam aprendido, e elas responderam que nada havia aprendido, foi lhes aplicado um no teste e elas tiraram zero. Dois meses depois, Sugata voltou e as crianças novamente disseram que nada havia aprendido, ele perguntou quando e como elas chegaram à conclusão que nada sabiam, elas disseram então: “Nós não desistimos, estudamos isso todos os dias” e uma outra garotinha completou: “Além da parte que diz que a replicação irregular da molécula de DNA causar doenças, não entendemos mais nada. ” Foi feito então um novo teste e elas atingiram a média de 30%.
A resposta da garotinha e o resultado do teste deixaram Mitra intrigado e motivado, ele percebeu que as crianças precisavam de incentivo, não o clássico de um professor, mas de uma outra figura como as avós. Ele encontrou uma garota de 22 anos que brincava com essas crianças todos os dias, e propôs a ela que orientasse os garotos, enquanto eles estudassem. Ela deveria observa-los e usar expressões como: “Maravilha! Você é bom nisso. ”, “Como você fez isso? Na sua idade eu não conseguia fazer! ”. As frases serviam de incentivo aos garotos, e meses depois quando Sugata voltou ao vilarejo as crianças alcançaram 50% do resultado, o que era desejado pelo professor.
Assim o experimento deu origem a Escola na Nuvem. O programa envolve voluntários do mundo inteiro chamados de “Grannys” ou avós. Os participantes não são necessariamente mulheres, e nem idosas, mas em sua maioria sim. É um sistema auto organizado então os voluntários e as crianças combinam o melhor horário para as “aulas”, que são transmitidas por Skype. São crianças de países subdesenvolvidos reunidas em volta de um computador, supervisionadas e incentivadas pelos Grannys a aprender novas línguas por exemplo, por meio de músicas e jogos. O projeto tem como foco incentivar também o raciocínio das crianças através das “Grandes Perguntas” como: Os animais têm alma? As arvores tem sentimentos? Se a arte é uma representação do sentimento, o sentimento é arte? E assim vai. Estimulando que as crianças pensem além das matérias já determinadas. É um incentivo a um novo mundo com pessoas mais desenvolvidas intelectualmente e capazes de desenvolver seus projetos.
E aqui ficam palavras do próprio Sugata sobre o desejo do seu projeto:
“ O meu desejo é ajudar a projetar um futuro para o aprendizado, ajudando crianças de todo mundo a utilizarem sua curiosidade e habilidade de trabalhar juntos. Ajudem-me a construir essa escola. Ela será chamada de “Escola na Nuvem”. Será uma escola onde crianças entram em aventuras intelectuais, guiadas por grandes questões trazidas por seus mediadores. A forma como quero fazer isso é construindo um lugar onde eu possa estudar nisso. É um lugar que praticamente não tem pessoas. Há somente uma avó que cuida da saúde e segurança. O resto vem da nuvem. As luzes são ligadas e desligadas pela nuvem, etc., etc., tudo é feito pela nuvem. Mas eu quero vocês para outro fim. Vocês podem criar Ambientes de Aprendizado Auto Organizados em casa, na escola, fora da escola, em clubes. É muito fácil de fazer. ”


