As empresas estão cada vez mais conscientes da importância da inovação, e este esforço tem sido percebido na proliferação dos novos modelos negócios que surgem no panorama organizacional, no qual a inovação de produto e serviço está mais presente.
Porém, quando se pensa na criação de valor, outros tipos de inovação, como a de modelo de negócio, surgem no radar. Esse tipo de inovação foca nas variáveis existentes em um negócio e responde a três perguntas fundamentais:
– Quem é o seu cliente?
– Qual a proposta de valor que a empresa entrega para o cliente?
– Quais são os processos e recursos para entregar a proposta de valor?
Definir uma proposta de valor diferenciada nem sempre é fácil. Tal proposta descreve os benefícios que os clientes podem esperar de determinados produtos e serviços. Para um produto ser valoroso, terá de despertar no consumidor os pensamentos: “eu quero”, “nada se compara” e “eu acredito”. Além disso, no modelo de negócio, a interação entre os processos de entrega e de produção geram lucro para a empresa. Inovação de modelo de negócio gera valor e não novos produtos.
Existem quatro dimensões principais para inovar no modelo de negócios:
– A oferta
– Os consumidores
– Os processos
– Os canais de entrega.
As ofertas são os produtos e serviços inovadores que levam valor para os consumidores. O iPod, iPad ou iTunes, por exemplo, são produtos inovadores. Ainda podemos ter as inovações nas plataformas e as soluções integradas. A Nissan criou uma plataforma de componentes para criar novas linhas de carros e utilitários.
Na dimensão de consumidores, pode-se inovar encontrando novos segmentos de consumidores, ou redefinindo as interações existentes em cada ponto de contato para criar novas formas de receitas. Toda a gama de serviços que foi criada para servir ao segmento de baixa renda é um exemplo da criação de novos segmentos de mercado.
Em relação à dimensão de processos, pode-se criar novas linhas de produtos e serviços, utilizando-se as competências centrais da empresa, como a Honda fez com a sua linha de produtos: motosserra, cortador de grama, motocicletas, carros, etc. Ou envolver o seus fornecedores na criação de valor como fizeram a Boeing ou a Embraer.
Quanto aos canais de entrega, a empresa pode buscar novas formas de distribuir e interagir com os consumidores, criando um relacionamento inteligente e criativo. O e-commerce, por exemplo, instituiu uma gama enorme de novos modelos de negócio.
Para estruturar uma proposta de valor, é necessário entender claramente as necessidades do cliente. É preciso ir a campo e observá-lo para entender quais são as tarefas que ele está tentando realizar no dia a dia. Entre essas tarefas, existem as funcionais – como vender, entregar, comprar… Há também as sociais, que definem como o cliente quer ser percebido pelo seu mercado. Já as emocionais, estão relacionadas ao bem-estar, gerando, por exemplo, tranquilidade, segurança e contentamento. Todas elas, na maior parte das vezes, estão relacionadas ao contexto no qual serão executadas. Por isso a importância de observar o contexto no qual seu cliente se encontra.
Com o intuito de criar novos modelos de negócio, a empresa precisa mudar sua maneira de pensar e aprender a trabalhar com a experimentação, sair do pensamento de curto prazo e migrar para um pensamento de prazo maior; aprender a observar as mudanças nos hábitos no mercado, e prototipar e testar continuamente as novas soluções. Os resultados podem levar algum tempo para serem obtidos, mas, quando o futuro é incerto e desconhecido, é no aprendizado contínuo que florescem as chances para se inovar.
Solange Machado


