Tereza é uma mulher controladora, e no trabalho gosta de ter o controle de tudo e se possível, todos. Ela é gerente de criação de uma agência de publicidade, e geralmente entra em diversos conflitos com outros setores, que como ela diz: atrapalhavam o desenvolvimento de suas criações. Ela não se considera uma pessoa controladora, e acha que é apenas muito responsável pelo trabalho que faz, e que como gerencia uma equipe, os projetos precisam ser avaliados por ela, e na maioria dos casos um pouco modificados para que fiquem de acordo com o padrão. Com o seu padrão.
Na mesma empresa de Tereza, trabalha Antônio. Antônio é o responsável pelo planejamento das campanhas que a agência desenvolve, ele tem um comportamento mais sossegado e procura não criar confusões. Normalmente, ele procura deixar claro o que e por quanto deve ser desenvolvido e deixa que o departamento de criação se encarregue do resto. Evita ao máximo trabalhar diretamente com Tereza e, porém, as vezes fica insatisfeito com o comportamento da colega e é visto nos corredores tecendo comentários maldosos a seu respeito.
Certo dia, ambos foram colocados em um projeto que consistia em uma campanha para uma marca de sabão em pó, e diferente do que acontecia nas outras campanhas, esta empresa gostaria que o planejamento acompanhasse todo o processo de criação, que realizasse o processo de maneira inversa. Primeiro fosse elaborada a campanha, e só então o planejamento faria a relação dos gastos. Antônio entrou em desespero, não queria de forma alguma ter que trabalhar diretamente com “a megera” (apelido que deu a Tereza) e Tereza ficou apreensiva em ter que trabalhar com “o banana” (seu apelido para Antônio)
Os dois contrariados começaram então a desenvolver o projeto. Antônio forneceu os números: pesquisas e dados sobre a marca. Enquanto isso, Tereza começou a desenvolver a campanha, com um grande sorriso no rosto por estar mais livre. Quando o processo começou a ficar mais intenso, Antônio entrou em ação e apontou os primeiros cortes. Processo continuou, e novamente cortes. Na terceira vez, Tereza estourou e questionou o colega se a campanha poderia ser criada ou não, ou se tudo seria cortado? Antônio respondeu que fazia o que lhe pediam. A briga então foi desencadeada e Tereza disse que sabia o que ele dizia sobre ela nos corredores e ainda disse coisas sobre a vida pessoal de Antônio. Os dois iniciaram uma discussão cheia de ataques pessoais e escutada pelas pessoas ao redor. Um superior ouviu a discussão e os repreendeu pela atitude inadmissível no ambiente da empresa.
Ao final do dia, os dois voltaram para casa e então refletiram sobre a questão, sobre o quanto haviam desrespeitado um ao outro, as pessoas que assistiam a briga e o ambiente de trabalho. No dia seguinte, antes de começarem o trabalho Antônio chamou Tereza para uma conversa, os dois reconheceram suas atitudes e entraram em um acordo para o melhor desenvolvimento do projeto. O acordo funcionou e a marca de sabão ficou contente com a campanha criada e principalmente o slogan: “Não importa onde você lave sua roupa suja, mas faça com sabão X.”
A pequena história dos dois profissionais nos leva a refletir sobre nossas ações no trabalho. Afinal, reconhecemos a postura que temos? Quem realmente somos e como reagimos as atitudes do outro? Saímos pelos corredores insatisfeitos com posturas alheias, e contando a terceiros, dando apelidos? Como praticamos o respeito para com aqueles que trabalham conosco? Praticar o respeito deve ser um ato natural em nosso dia-a-dia. Se começarmos a respeitar quem somos, nosso comportamento e aprendendo a apontar melhorias para nós, conseguiremos dar o devido respeito ao espaço do outro. E no caso de atritos, a melhor saída é sempre um bom diálogo. Pratique sempre uma atitude positiva!


