Como você reagiria se uma empresa adentrasse território que antes pertencia ao seu negócio? Ou se um regulamento alterasse as regras do ecossistema, abrindo as portas para novos competidores? As rupturas com antigos paradigmas podem desestruturar uma organização, por isso o mercado atual exige um líder alerta e preparado, capaz de gerenciar riscos
Em novembro de 2017 a Tesla anunciou um caminhão elétrico capaz de atingir altíssimas velocidades, o Tesla Semi. Num primeiro momento podemos pensar que esse novo modelo automotivo apenas representa perigo aos outros fabricantes de caminhões. Mas a percepção sobre a situação muda quando se é ouvido o discurso do empreendedor Elon Musk, que afirmou: ‘’quando três caminhões Tesla Semi viajam em comboio, os custos da operação são inferiores aos do transporte ferroviário’’. Haveria a necessidade de empresas ferroviárias se prepararem para a entrada da Tesla no setor? Conseguiriam responder com sucesso no tempo disponível? Neste exemplo, entre o anúncio e o início esperado da produção, haveriam apenas 24 meses disponíveis a reação – tempo muito curto para uma indústria dessa escala.
O lançamento da Tesla ocasiona ruptura em relação aos antigos modelos de produção. As empresas de transporte ferroviário precisariam estar atentas para implementarem uma estratégia adequada capaz de contornar a situação. É preciso observar as alterações no contexto ocasionadas pelo novo agente. Caso haja a necessidade de mudanças, é necessário definir objetivos claros que devem ser alcançados a partir delas. Uma equipe preparada é imprescindível. Abaixo confira quatro perguntas que ajudarão sua organização a resistir as mudanças tão comuns num mundo VUCA (sigla em inglês para volátil, incerto, complexo e ambíguo.
Quão ruim é o rompimento e por quê?
A criação do Tesla Semi pode ocasionar hipotética alteração ao contexto do transporte ferroviário. Por isso é necessário questionar: Qual o real impacto do lançamento no mercado? Quão grande seria a fatia abocanhada pelo novo modelo Tesla? O efeito seria temporário ou definitivo? Essas perguntas são essenciais para definir o que fazer em seguida.
O que precisa ser mudado?
Há a necessidade de mudança para enfrentar um concorrente. O modelo de negócio precisa ser revisado. É o que aconteceu com o mercado de táxis quando a empresa Uber surgiu, capturando clientes. As companhias de Táxi precisaram alterar todo o ecossistema em que funcionavam, com medidas, como por exemplo, exercer pressão para os governantes desenvolverem barreiras legislativas com o intuito de barrar a entrada do concorrente. No caso Tesla, a empresa de transporte ferroviário poderia reduzir custos, para assim tornar-se mais competitiva.
Onde mudar?
Responder essa questão é definir o foco da mudança por meio de medidas cuidadosamente selecionadas, para bater o concorrente. As empresas de transporte ferroviário, por exemplo, se decidissem adotar uma abordagem defensiva, precisariam de indicadores voltados a otimizar custos e tornar o serviço fornecido mais eficaz e confiável. Esse item deve ser realizado com destreza. Segundo Jean-Louis Barsoux do IMD ‘’ Muitas vezes as organizações buscam mudanças erradas – especialmente nos ambientes complexos e em processo de vicissitude, aonde as decisões sobre o que transformar para permanecer competitivo podem ser apressadas ou mal orientadas “.
Como mudar?
Executar a mudança pode ser tarefa difícil. Na prática, a melhor solução é aquela possível de ser executada pela organização. Em momentos de transformação é crucial encarar a realidade. Escolhas mais dogmáticas do que realistas são uma cilada. Elementos como a cultura da empresa devem ser apreciados, assim como os pontos fracos e fortes da organização. A estratégia deve levar em consideração os ambientes externos e interno.
Um contexto turbulento, por sua própria natureza, é imprevisível. Rupturas podem ocorrer até mesmo quando uma estratégia de mudança já está em andamento. Por isso se faz necessária uma equipe de diagnósticos, sempre vigilante, antecipando possíveis problemas. Mas não encare a necessidade de transformação como algo negativo. Empresas que possuem um sistema de alerta integrado podem ficar imunes as modificações do mercado, e quem sabe, num contexto futuro, serem as responsáveis pelas quebras de paradigma.
TEXTO BASEADO NA PUBLICAÇÃO: https://www.imd.org/publications/articles/why-being-alert-is-not-enough-to-beat-vuca-and-disruption/


